YMA
“Sentimental Palace”
Novo álbum da artista apresenta onze faixas e participações especiais de Lucas Silveira (Fresno), Jup do Bairro e Sophia Chablau.
Um hotel onírico, ocupado pelo inconsciente, vira abrigo e pista de dança. Este é o Sentimental Palace, segundo álbum de estúdio da artista paulistana YMA, lançado em 23 de outubro de 2025. Expoente da música brasileira contemporânea, YMA dá continuidade ao seu universo particular, revelado no elogiado Par de Olhos, de 2019. Ela passeia ao longo de 11 faixas por paisagens mentais que flertam com a decadência do mundo e o fascínio do desejo. A artista assina todas as composições, com algumas parcerias. YMA conta que Sentimental Palace surgiu da vontade em dar uma forma habitável às suas inquietações, como se o inconsciente ganhasse endereço. “Um hotel, onde cada porta guarda um tema, mistérios, demônios. Compor o disco foi como mapear esse território psíquico: abrir portas, observar o que estava ali e depois fechar com algum tipo de resolução. Ou não”, afirma YMA.
Para dar conta de toda essa imagética, a poesia de YMA vem acompanhada de arranjos recheados de sopros, cordas e sintetizadores. A produção musical e a mix são de Fernando Rischbieter e a master de Pedro Vinci. O produtor Lauiz, da banda Pelados, assina a produção da faixa “dentro de mim” e a coprodução de “fritar na areia!!” e “Lagosta, Ostra”.
Sentimental Palace sai com distribuição do selo Matraca Records e tem participações especiais de Lucas Silveira (Fresno), Jup do Bairro e Sophia Chablau.
Para traduzir o universo de imagens em som, YMA decidiu experimentar. “O processo de criação do disco foi quase inteiramente dentro do estúdio, que acabou virando um lugar de passagem. Um hotel também, onde cada hóspede chegava com sua própria bagagem sonora”, compara.
Por ser um álbum carregado de imagens, YMA escolheu para Sentimental Palace, músicos e artistas que usassem o instrumento como ferramenta poética. Daí surgem participações como Fernando Catatau, Marcelo Cabral, Gabriel Milliet, Vitor Wutzki, João Barisbe, entre outros. “Tive o prazer de gravar duas músicas com a minha banda e as outras nasceram dessa combinação livre entre diferentes músicos, cada faixa pedindo uma constelação específica”, revela YMA. Os convites para Lucas Silveira (Fresno), Jup do Bairro e Sophia Chablau seguiram a mesma toada orgânica. Em “Te Quero Fora”, a voz do cantor gaúcho surgiu naturalmente na cabeça de YMA. “Mandei a demo, ele ouviu e em poucos dias já havia criado e gravado parte dele. Foi tudo incrivelmente rápido. O Lucas é de um profissionalismo e talento absurdos”, aponta. Já “Lagosta, Ostra” marca o encontro explosivo entre YMA e Jup do Bairro. “Jup é a nossa grande poeta do pós-apocalipse — sou apaixonada pelas coisas que ela escreve, na performance, na voz. Essa faixa é a mais porrada do disco. Contracenar com ela nesse banquete entre o luxo e o lixo foi a cereja do bolo”, explica a artista. Em “Rita”, YMA conta com a participação de Sophia Chablau, cantora e compositora paulista em destaque no indie brasileiro. “Uns três anos atrás enviei uma demo simples de voz e violão, e ela me retornou com outra leitura, linda, analógica, com uma textura que acabou guiando a construção do arranjo”, conta. YMA diz acreditar ter vivido múltiplas metamorfoses entre o primeiro e o segundo discos. “Percebo que, de 2019 pra cá, tudo mudou num ritmo vertiginoso: o mundo, as relações, o corpo, o jeito de estar presente. Fazer esse segundo disco foi uma maneira de me compreender no meio do caos”, afirma.
